quarta-feira, 6 de maio de 2015

A série Pedagogia da Autonomia já começou



Acaba de ser publicado o primeiro da série de 30 vídeos que vai explicar os princípios da Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire. Vejam e ajudem a compartilhar! Essa série vai contribuir muito para melhorar a qualidade do debate sobre Paulo Freire nas redes sociais. E todos estão convidados para participar do fórum e conversar mais sobre a educação que queremos!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A encenação do herói salvador na política



Vídeo explica como o mito do herói é encenado pelos políticos que querem se apresentar como aquele capaz de combater o mal e salvar o seu povo. Inscreva-se  http://bit.ly/canaldoAndre
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Como vimos no vídeo anterior, em tempos de crise, quando uma sociedade se sente ameaçada por inimigos, reais ou imaginários, as pessoas ficam ansiosas e passam a invocar a presença de um herói salvador para libertá-las do mal.

Muitas vezes os heróis são criados a partir de uma série de manipulações conscientes dos agentes históricos, que aprendem a ler os sinais do seu tempo. Eles identificam o código das angústias sociais e passam a encenar aquele papel que a sociedade espera do seu herói.

Napoleão é um caso clássico. Ele tinha muita consciência da necessidade de encomendar pinturas que o representassem de forma heróica, de encomendar peças de música e de teatro onde a sua figura era louvada, e com isso ele cnquistava a reverência das pessoas.

Mas para se criar um herói nacional são necessários alguns pré-requisitos.

1) Primeiro, é preciso uma certa disponibilidade social. É o que Girardet chama de “O tempo da espera e do apelo”.

2) Depois há o tempo da presença, quando o herói salvador finalmente se anuncia.

3) Por fim, há o tempo da lembrança, quando a figura do salvador do passado vai se modificando por conta dos movimentos da memória coletiva.

De acordo com o momento histórico, a sociedade precisa de um herói com essa ou aquela característica. Giradet procura simplificar em quatro categorias.

A primeira imagem legendária é a do velho homem que conquistou fama nas guerras do passado. Ele comandou grandes contingentes, exerceu com honra diversos cargos e depois decidiu se retirar da vida pública.

Mas em um momento crucial, esse homem abandona o seu projeto de uma velhice tranquila e obedece ao chamado de seu povo. E sob o discurso de ter feito uma “doação de sua pessoa“ para a sua pátria, ele conquista um poder supremo.

Outro tipo de herói é aquele que se caracteriza pelo ímpeto e pela audácia conquistadora dos jovens em busca da glória. O seu poder não depende da nostalgia das pessoas. Ele vem do entusiasmo, da ação imediata. Esse herói não oferece proteção. O que ele propõe é um chamado à aventura.

Agora, se durante aquele momento revolucionário o herói parece deixar a ordem humana para ingressar em uma esfera sagrada, ele pode também, no cotidiano do poder, se tornar o fundador de uma nova ordem institucional.

E é aí que entra em cena o terceiro tipo de herói: o homem providencial. São os pais fundadores da nação. São aqueles que se apresentam como os únicos capazes de sustentar as instituições, porque são os fiéis guardiões dos fundamentos da pátria.

E por fim, há o mito do profeta.

O profeta é aquele que anuncia um novo tempo, que consegue ler na história os sinais que os outros ainda não conseguem perceber. O profeta se apresenta como se fosse conduzido por uma espécie de impulso sagrado para guiar o seu povo pelos caminhos do futuro.

Nas propagandas ideológicas ele é apresentado com aquele olhar inspirado que atravessa a neblina do presente. Com seu carisma, ele vincula o seu destino pessoal ao destino coletivo. O chefe profético, portanto, não é apenas um simples representante, mas ele simboliza a presença de todo o povo conduzindo a pátria. Ele é a sua encarnação no sentido mais profundamente religioso do termo: encarna a nação na totalidade de seu destino histórico, em seu passado, em seu presente e em seu futuro.

Agora, ainda que seja uma fabulação, todo processo de heroificação depende da relação entre a personalidade do salvador e as necessidades de sua sociedade, em um momento histórico.
Ou seja, mesmo com muita propaganda, não é tão fácil criar um herói. O candidato a herói tem que ter, nas suas características pessoais, um conjunto de elementos que correspondem às expectativas da sociedade naquele momento.

Napoleão é um bom exemplo dessa dinâmica. Em cada fase de sua vida ele soube representar o tipo de herói necessário para a sua época. Do jovem audacioso, guerreiro e aventureiro, ao homem providencial, fundamento da pátria.

A análise da imagem do herói é muito interessante;
Como ele é formulado em sintonia com o imaginário de seu tempo, a identificação das características dessa figura ajuda na interpretação das ideologias, das mentalidades e dos modelos de autoridade que são aceitos em uma sociedade.

Palavras-chave: comunismo, fascismo, capitalismo, nazismo, imperialismo, segunda guerra mundial, propaganda ideológica, Hitler, Mussolini, general franco, Napoleão

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A teoria da conspiração judaica – (Mitos e Mitologias Politicas – parte 3)



“Os protocolos dos sábios de Sião” foi um documento forjado que estimulou a teoria da conspiração mais popular da História: o mito da dominação judaica. Essa falsificação foi utilizada por Hitler e pelo nazismo para justificar o extermínio dos judeus na Segunda Guerra Mundial.
Palavras-chave: antissemitismo, nazista, Israel

Estamos em Praga, por volta da metade do século XIX, entre as sepulturas amontoadas do velho cemitério judeu. A meia-noite logo vai soar, o silêncio se torna mais pesado sobre a cidade, a escuridão se faz mais espessa. As portas do cemitério foram entreabertas; sombras deslizam furtivamente, envoltas em longos mantos, depois se reagrupam em torno de uma pedra tumular. Trata-se dos representantes das doze tribos de Israel que, segundo uma tradição secreta, devem todos os séculos, entrar em acordo sobre os procedimentos que devem tomar para garantir o sucesso do plano milenar de dominação do mundo.

E então, segundo essa história, um desses sábios  afirma mais ou menos assim: já que o povo de Israel foi pisoteado, humilhado, perseguido e teve que se dispersar pelo cinco continentes, eles deveriam dominar todo o planeta. A Terra inteira pertenceria aos judeus.

Nesse vídeo a gente vai ver como essa narrativa fictícia se desenvolveu no imaginário ocidental até se transformar no mito da grande conspiração judaica, que acabou legitimando violências da magnitude do holocausto.

Segundo Raoul Girardet, o mito da conspiração judaica tem origem em um capítulo de um livro de ficção medíocre, publicado em Berlim em 1868, com o título de Biarritz. O livro era  assinado sob o pseudônimo de Sir John Retcliffe.  E o escritor, na verdade, era um funcionário demitido do serviço dos Correios da Prússia, chamado Hermann Goedsche. Antissemita, é claro.

Depois de ter sido publicado pela Europa oriental, esse trecho em particular, isolado do seu contexto da obra de ficção, acabou chegando ao público francês pela imprensa.

Só que os jornais afirmavam que a história era verdadeira e baseada em um testemunho autêntico de um diplomata britânico chamado Sir John Readclif – assim mesmo, com a grafia ligeiramente diferente do pseudônimo do romancista.

E além disso, em vez de vários personagens que no romance original  se alternavam no discurso, nessa nova versão a conspiração judaica era revelada por um único rabino.

Não demorou para que a versão do jornal começasse a ser amplamente citada. Em 1896 um livro de François Bournaud, chamado “Os judeus, nossos contemporâneos”, reproduziu essa ideia do “discurso do rabino” e alcançou repercussão internacional.

E já em 1933, a introdução da edição sueca desse livro garantiu que o diplomata que havia revelado a conspiração judaica  havia sido misteriosamente assassinado.

Não se esqueça: o diplomata nunca existiu. Era o pseudônimo do funcionário dos correios, que era o verdadeiro autor do livro de ficção.

O fato é que essa história de um plano metódico, rigorosamente articulado para a dominação do mundo pelos judeus correu o planeta. 

Dezoito séculos pertenceram a nossos inimigos, proclama o rabino na noite do cemitério de Praga; o século atual e os séculos futuros devem pertencer a nós, povo de Israel, e certamente nos pertencerão.”
Segundo esse plano, os judeus, pouco a pouco, dominariam a economia, a política e se enraizariam em todas as esferas da sociedade. Para isso usariam da especulação financeira e da influência nos governos, ao controle das escolas e dos meios de comunicação do mundo inteiro.

O complô judeu, assim como o complô jesuítico e complô maçônico, foram mitos políticos muito presentes no imaginário do século XIX e do século XX.

Aquele “discurso do rabino”, em particular, foi a matéria-prima de um documento primordial da história ideológica contemporânea: Os protocolos dos sábios de Sião.

Os protocolos foram uma falsificação do final do século XIX, produzido pela polícia russa, antes da revolução comunista, ainda no período czarista, e que circulou em vários países antes da Primeira Guerra Mundial. Para se ter ideia do impacto histórico desse mito, esse texto forjado era citado recorrentemente por Hitler  para justificar o extermínio dos judeus.

Desde o século XIX, os folhetins e esses romances populares, direcionados a um público apaixonado por sensacionalismo, forneceram um repertório fabuloso de temas e imagens que instigaram a imaginação política das pessoas.

Mas apesar da criatividade e da diversidade de histórias, ao analisar essas narrativas, não é difícil perceber um mesmo conjunto mitológico na sua estrutura. 

Todos os mitos da conspiração, por exemplo, começam com a imagem daquela entidade secreta que deve ser vista com temor e de desconfiança: a “Organização”.

A fabulação em torno desses mitos políticos segue um roteiro que já é clássico. A organização é descrita como uma entidade repleta de segredos, indevassável e por isso é difícil entender o que “eles” estão maquinando e é quase impossível denunciá-los.  Investigá-los já é perigoso.

Para ingressar na organização é preciso passar por cerimônias e rituais em lugares secretos, clandestinos. Os membros se se comunicam por senhas, códigos e por sinais que só eles entendem. E os cúmplices estão ligados por juramentos e pactos de silêncio. 

Para cumprir seus objetivos, todos os meios são legítimos. Da delação à traição, da espionagem ao assassinato misterioso – envenenamento, desaparecimentos, acidentes...

Na fabulação dessas mitologias, o objetivo final de todas as artimanhas da conspiração não é nada menos do que a instauração do império das trevas em todo o planeta. A gente costuma se achar muito racional, mas nossos juízos políticos estão carregados de mitologias e de religiosidade.


Mas a gente vai ver isso no próximo vídeo. 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Dia da Consciência Negra



Esse vídeo recupera pontos importantes da história de lutas dos movimentos negros –  dos quilombos do século XVII ao estatuto da igualdade racial em 2010. Penso que é um bom vídeo para ajudar a compreender a importância do Dia Nacional da Consciência Negra. Vejam e compartilhem também! Essa é uma reflexão indispensável a todos os brasileiros.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Um canal de Ciências HUmanas



Pessoal, esses são os vídeos que produzi até agora na nova fase do canal. Vocês viram todos? Qual ficou melhor? Ainda estou experimentando as críticas já ajudaram a melhorar muitas coisas. Assim que terminar a série sobre Mitos e mitologias políticas, pretendo buscar financiamento coletivo no Catarse para produzir uma série mais longa de vídeos para discutir a pedagogia da autonomia, de Paulo Freire. (Vocês conhecem o Catarse? É uma das coisas mais legais da Internet brasileira. -->http://www.catarse.me/pt/projects) E quem tiver sugestões para novos temas, registre no próprio fórum do canal! MI casa, tu casa! 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Veja se você luta ou reproduz a corrupção



O Brasil inteiro está se mobilizando para combater a corrupção. Se você quer participar desse movimento e transformar o país, a primeira coisa a se fazer é encarar um importante questionamento. Assista ao vídeo e reflita.

sábado, 12 de março de 2011